
Realidade dos nossos dias é o auto-proclamado "arrumador" de carros. Começaram por ser os portugueses que, por uma ou por outra razão aderiram a essa moda para com a complacência dos cidadãos arranjarem mais "uns cobres" para o seu magro orçamento.
A actividade era lucrativa, já que, uns por receio dos cidadãos de que se não contribuíssem com uma "moeda" pudesse vir a ter as suas viaturas danificadas (e essa situação foi-se repetindo ao longo dos tempos), outros por solidariedade para com os seus concidadãos mais necessitados sempre iam contribuindo com uma medita. Ao final do "dia de trabalho" não é raro ver nos cafés das proximidades os ditos arrumadores a trocarem os seus ganhos do dia. Assuma-se aqui que ao que sabemos alguns ganham razoavelmente bem atendendo ao "serviço" que prestam e comparado com as remunerações de um vulgar trabalhador de escritório.
Com a abertura das fronteiras e com a chegada de contingentes de imigrantes vindos dos antigos países de leste, muitas dessas ocupações foram assumidas por naturais da Roménia, da Rússia, e de outros antigos países comunistas. Muitos pertencem às chamadas máfias de leste para quem canalizam os rendimentos diários.
O certo é que nas zonas livres de parqueamento da EMEL, em Lisboa, e em muitas em que antecipadamente avariaram os parquímetros, todo o lisboeta, e esta realidade alastrou-se um pouco por todas as cidades portuguesas sobretudo as de maior dimensão, se habituou a ter a "colaboração forçada" do arrumador na busca de lugar onde parquear a sua viatura.
Na nossa freguesia de Coração de Jesus também esta realidade é conhecida dos nossos vizinhos. Mas há um que merece a nossa chamada de atenção.
Na Rua Camilo Castelo Branco - a rua onde fica situada a sede dos bombeiros locais - um "arrumador" existe que entende exorbitar em muito as suas auto-reclamadas funções. Com a complacência, e nós diríamos mesmo cumplicidade, de alguns automobilistas, fica na posse das chaves das viaturas e quando algum condutor retira o seu carro, ele apressa-se a ir ocupar o lugar com a viatura de que possui as chaves impedindo assim que qualquer outro condutor, que não aquele por ele escolhido, parqueie a sua viatura. Quando algum condutor "conhecido" (obviamente pelas suas "gorjetas") se aproxima na procura de uma lugar para guardar o seu automóvel, eis então que novamente a outra viatura é chegada para a frente ou para trás, logo se arranjando um local para parquear.
Algumas situações de conflito já existiram. Outras poderão vir a existir. Denunciamos aqui a situação para que as autoridades, nomeadamente as policiais, actuem, quer preventiva, quer punitivamente, contra estas actividades que são, recordemos, ilegais e geradoras de conflitos desnecessários.
Os chamados "arrumadores" podem em certas situações e relativamente a alguns condutores ser uma grande ajuda. Concedemos. O que não se aceita aqui é que se arvorem em donos do espaço público e escolham quem, na sua óptica, tem direito, ou não, em o usar.
