PS CORAÇÃO DE JESUS

Julho 03 2009

Arrependido do gesto que fez, Manuel Pinho afirma ter ficado muito ofendido com as graçolas do PCP quando se debatia a recuperação das minas de Aljustrel e a criação de 130 postos de trabalho. De regresso à vida privada não teme pelo seu futuro ao mesmo tempo que considera ser cada vez mais difícil atrair pessoas para a política.

 

 

O antigo gestor do Banco Espírito Santo, que abraçou durante quatro anos e meio a pasta da economia do Governo Socialista, sendo o terceiro mais antigo ministro da Economia em funções na União Europeia, foi à SIC-Notícias explicar o gesto que marcou o último confronto entre o Governo e a Assembleia da República da actual legislatura.

 

Estava-se em pleno debate e o primeiro-ministro usava da palavra no direito de resposta às questões levantadas pelo deputado do BE, Francisco Louçã, quando num diálogo paralelo entre o líder da bancada comunista Bernardino Soares e o então ministro da Economia, este, reagindo mal aos comentários comunistas, simulou um "par de cornos" em direcção à bancada daquele deputado.

 

"Estávamos no Parlamento a discutir o caso dos mineiros de Aljustrel. No final de Dezembro essa empresa estava falida e os trabalhadores iam ser todos despedidos. Passámos noites sem dormir no Ministério para encontrar uma solução. No dia 23 de Dezembro havia lá 100 trabalhadores. Hoje, há 230 trabalhadores. E eu fico muito ferido quando depois de todo este trabalho que foi feito para recuperar os postos de trabalho e a vida dessas famílias, partidos que se dizem de esquerda e que dizem defender os trabalhadores tomam as atitudes que tomaram", explicou Manuel Pinho à jornalista.

 

"No fundo o que o Partido Comunista não desculpa é o sucesso que o Governo teve numa região que considera bandeira sua em salvar postos de trabalho. Passados uns meses convidaram-me inclusive para ir ao campo de futebol do clube da terra para ser homenageado. E isso é uma coisa que o Partido Comunista aceita muito dificilmente porque põe os seus interesses acima dos interesses dos trabalhadores. Mais uma vez lamento muito este caso, dou por encerrado o assunto mas há uma coisa que me faz muito feliz. É que eles poderiam estar no desemprego hoje em vez de 100 há 230 postos de trabalho", acrescentou.

 

"Graçolas do PCP despoletaram a reacção intempestiva de Pinho

 

O ex-governante foi questionado sobre o que terá sido dito pelo PCP que tivesse despoletado aquela reacção intempestiva.

 

Manuel Pinho explicou que durante a intervenção do primeiro-ministro de resposta a Francisco Louçã, da bancada comunista vinha aquilo que qualificou de "graçolas" em relação às minas de Aljustrel e concretamente o desmentido da criação dos postos de trabalho. "Não era verdade que os 280 postos de trabalho tivessem sido criados, como aliás se pôde ouvir no discurso do Dr. Louçã, e o deputado comunista estava a fazer umas graçolas que aquilo era tudo mentira. Ora, sabe quando uma pessoa passa noites sem dormir só para salvar postos de trabalho de gente que tem condições miseráveis (...) os trabalhadores, quando eu ia lá, ficavam muito agradecidos", explicou Pinho.

 

A situação então vivida para resolver o problema das minas de Aljustrel foi, disse Pinho, muito complicada. Manuel Pinho explicou o porquê: "estavam lá todas as televisões. Cinco minutos antes de me apresentar nas minas estava eu na estação de gasolina a fechar o negócio....muitas vezes não se sabe que um político passa por estas situações ... cinco minutos antes arriscava-me a que aquilo não estivesse tudo concluído".

 

Situação de incerteza que mexia com muita gente e com muitas famílias, levou o ministro a afirmar: "Salvámos os postos de trabalho, criámos mais 130 postos de trabalho, e num momento tão difícil como o que o país está a viver eu creio que não é a melhor atitude fazer-se graçolas e sobretudo usar os trabalhadores como arma de arremesso. Fiquei muito revoltado, fiquei muito ferido, acredite, não tive uma boa reacção mas fiquei muito, muito ferido".

 

O ministro que resistiu durante quatro anos e meio de intensa actividade política, que cometeu algumas "gaffes" pelas quais ficou conhecido, sente-se, no entanto, gratificado por ter podido ajudar algumas pessoas. "Desta minha experiência na política, porque eu não sou um político profissional, o que eu guardo mais importante foram os postos de trabalho que foi possível salvar", afirmou.

 

Iniciativa do próprio versus demissão pelo Primeiro-Ministro

 

Momentos depois de ter sido protagonista do caso do dia, Manuel Pinho chegou a dizer aos jornalistas continuar a ter condições para exercer as suas funções. Algum tempo depois, foi pela voz do Primeiro-Ministro que os deputados souberam do pedido de demissão do ministro e da sua aceitação pelo líder do executivo.

 

Dúvida que ficou a pairar ontem na Assembleia da República é a de saber se a demissão ocorreu por iniciativa do próprio ministro ou se ela terá sido consequência de pressões de José Sócrates. Questionado pela jornalista, Manuel Pinho garantiu que apenas falou com a mulher e que a decisão foi integralmente sua por considerar que não havia qualquer hipótese de continuar no Governo.

 

Dificuldade de atrair pessoas para a políticaManuel Pinho sempre foi dizendo que não é político profissional e que sempre teve outras coisas para fazer na vida. Estar na política não é fácil e teme que cada vez menos a política seja atraente para os não políticos.

 

"Não sou um político profissional, dei o melhor que pude, que enormes sacrifícios para mim e para a minha família em todos os aspectos, não só o financeiro, mas esse não é o mais importante, mas em termos de devassa pessoal. Eu creio que estamos a viver uma situação em que cada vez será mais difícil atrair pessoas que não são da política para a política, porque isto é muito duro. Hoje trataram-me de mentiroso, reagi mal, mas a culpa é toda minha, aqui há uns meses andavam a investigar como é que eu tinha comprado a minha casa, falou-se semanas a fio na televisão sobre isso. Eu creio que chegámos a uma situação em que será cada vez mais difícil atrair pessoas para a política. É pena para o país", adiantou.

 

Na hora de sair do Governo, Manuel Pinho afirma não se arrepender de ter aceite o convite que lhe foi endereçado pelo primeiro-ministro para abraçar a pasta da Economia. "Eu recebi muito do meu país e é um privilégio ter podido retribuir" afirma.

Manuel Pinho garante que não faz parte dos seus planos fazer carreira política. Confessou ainda que admira muito José Sócrates e mostrou-se orgulhoso do legado que deixa no Ministério da Economia, nomeadamente no que diz respeito às energias renováveis.

publicado por pscoracaodejesus09 às 19:01

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